sexta-feira, 30 de julho de 2010

O desafio do crack!

A dona de casa M., de 60 anos, conhece bem a destruição provocada pelo crack. Ela viu o filho, hoje com 25 anos...

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Mãe de usuário de crack revela drama após venda de Celta por R$ 50!

Filho roubou o carro para comprar droga...
Uma bem-sucedida empresária da Capital, vive, aos 58 anos, o maior drama da vida: recuperar o filho de 32 anos, usuário de crack, que, na segunda-feira, pegou o carro dela e o vendeu por R$ 50...

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terça-feira, 27 de julho de 2010

Por que os Adolescentes se Drogam?

Hoje todo mundo sabe, pelos professores e pelas campanhas antidrogas, que as drogas fazem mal. Daí a dificuldade de se entender porque os adolescentes se drogam. Nem eles mesmos devem saber o motivo.Talvez, por se sentir mais independente – já está fisicamente crescido – e por sentir-se psicologicamente mais preparado para a vida, o adolescente queira provar que já cresceu, que tem sua própria opinião. Querendo então provar sua segurança pode experimentar drogas, sem perceber que está fazendo exatamente o contrário de tudo o que ouviu sobre drogas.Além disso, a curiosidade pode também levar um jovem a se drogar, pois a adolescência é a época das descobertas, e o adolescente quer conhecer tudo. É preciso entretanto, saber diferenciar a boa curiosidade da curiosidade nociva, e querer conhecer o mundo das drogas, é, de fato uma curiosidade ruim, já que sabemos efetivamente que as drogas fazem mal à saúde, alteram o pensamento e mudam o comportamento das pessoas.Outro fator que pode induzir um jovem a se drogar é a incapacidade de enfrentar problemas. Principalmente aqueles que sempre tiveram tudo e nunca passaram por frustrações e tristeza mais sérias.Muitos desses adolescentes, quando surgem os problemas, acabam recorrendo às drogas, achando que assim os afastarão ou terminarão com eles. Na verdade, só se afastam, porque nenhuma drogas resolve nada. Ao contrário, quando passa o seu efeito, o conflito ainda existe e acrescido de mais um: o próprio envolvimento com a droga.A importância juvenil (mania de Deus do adolescente) também pode motivar um jovem a se drogar. Acreditando que nada de ruim vai lhe acontecer, ele abusa de tudo: velocidade, sexo, drogas, etc. Mas é justamente esse excesso de confiança em si mesmo que acarreta acidentes automobilísticos, gravidez indesejada, o vício nas drogas.É comum ainda o jovem usar drogas para ser aceito pelo grupo que as usa. Outros querendo mudar seus jeito de ser, recorrem às drogas, pois eles mesmos não se aceitam e acreditam ser esse o caminho para mudarem. Enganam-se. Assim como se enganam aqueles que acham que as drogas acabarão com a solidão, ou que preencherão o tempo quando não houver nada que fazer.
Autor: Içami Tïba – Psicoterapeuta de adolescentes, médico formado pela Faculdade de Medicina da USP. Especialização como Psicoterapeuta Psicodramatista pela Sociedade de Psicodrama de São Paulo. Membros da Equipe Técnica Científica da Assessoria Parceria Contra as Drogas.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Qual seria o papel eficiente da escola na prevenção do uso de drogas?

Prevenir o uso de drogas é uma decisão política determinada por um projeto integrado, implica em falar de educação de filhos, de adolescência, de relação social e convivência afetiva.
Prevenir não significa tratar o tema com sensacionalismo ou com terrorismo, os efeitos poderão ser inversos do esperado,como o aguçamento do interesse, curiosidade e incentivo para condutas negativas.
Acreditamos que a escola seja um espaço para desenvolver atividades educativas, visando qualidade de vida e educação para a saúde. Portanto, ela tem a responsabilidade da prevenção primária e secundária.

sábado, 24 de julho de 2010

“As conseqüências do crack”.Série Meninos do Crack!

“O crack é o diabo.”


Jurei que só ia dar aquele pega. Sempre se jura, é sempre assim.Prometo que é só para aliviar minha tensão. É como se fosse a fruta do pecado. Depois que deu a primeira mordida, não se controla. Quem usa crack, sabe que nunca se fica só em um pega. Depois que se fuma uma, seu corpo e sua mente pedem outra. Assim vai, uma atrás da outra, sem deixar tempo para racionar. Não tem mais fim. Isso aconteceu várias vezes comigo. É por isso que se gasta a grana que tem, fica loucão,vende as roupas que está vestindo e, depois, só resta roubar.Naquela noite, fumei a grana que eu tinha, vendi meu tênis, fui para casa, peguei a televisão que a minha avó ainda não tinha pagado,coloquei nas costas e vendi. Fumei a TV, o tênis e a fissura ainda persistia. 49 Quando se chega nesse ponto, nada mais importa. Se fica cego, só se pensa em fumar. Vale tudo para obter a droga, nem que isso faça com que se corra riscos de vida. Muitas vezes, até pensei e imaginei que a polícia me pegaria. O crack faz com que se tenham alucinações horríveis,mas, mesmo assim, eu fui. Sempre se vai...Eu fui roubar o som de um Uno, para fumar, mas alguém escutou  barulho e saiu de casa. Senti um medo terrível. Pensava no que iria fazer. Então, me escondi embaixo do carro. Tive que passar a noite toda ali, até que eu percebesse que não corria mais risco algum. Quando amanheceu, sai todo sujo, esfolado e machucado e voltei para casa.Essa é a rotina de um viciado em pedras. Quando tu dá um pega,tu quer dar outro pega e, assim, cai a casa. É sempre assim, com todosnós. Pergunte a qualquer pessoa que fuma se ela consegue ficar só num pega. Jamais. A rotina de um viciado é essa.Outro dia, vi um vídeo game dando sopa e roubei. Só que escolhi o lugar errado, o dono do Play era um traficante. Na loucura de querer usar, não se pensa, foge do controle. Basta ter uma oportunidade de poder fumar e já era. Na hora, não vi nada, mas me viram. Sai com o Play na mão, oferecendo para os vizinhos. Não demorou muito, vendi por cinqüenta reais, mas o fim dessa história não foi legal. Os traficantes sabiam que tinha sido eu quem havia roubado, então, já era. Me surraram tanto, que voltei me arrastando para casa. Estava chovendo tão forte,que perdi até os chinelos.Histórias, como essas, fazem parte da vida de um usuário de crack,porque, na hora da fissura, você não raciocina. Fui e voltei dessa rotina várias vezes. Me internava e parava, mas quando voltava para as ruas,tudo começava novamente. Eu trabalhava, comprava roupas, calçados e me recuperava, mas, quando a vontade vinha, lá ia eu vender tudo o que tinha adquirido. Se mergulha no inferno. É um abismo que parecenão ter mais fim. Sofro com tudo isso. Sei que a sociedade pensa que quem usa pedra é por vadiagem, que não querem parar, mas isso não é verdade. Qual é o ser humano que gostaria de ser escravo, de um vício,assim? Que leva tudo que tu tem? Não há quem possa gostar de viver dessa forma.Eu quero parar. Já parei várias vezes, mas não consigo resistir por muito tempo. É complicado. O mundo do crack tem a porta de entrada muito fácil, porque é uma droga barata, mas para sair dele é complicado.Inúmeras tentativas que não dão em nada ou, apenas, têm um tempo de validade. É assim, para mim.

Anderson tem dezenove anos. Possui o primeiro grau completo. Fuma crack há quatro anos e passou por quatro internações de reabilitação.

Material extraído do Livro Meninos do Crack da Escritora Ana Paula Nonnenmacher

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Dez fatos sobre o uso de drogas!

Dez fatos que pais e escolas devem saber sobre o uso de drogas:

- Dependência de droga é definida como doença progressiva, incurável e fatal pela Organização Mundial da Saúde;
- no Brasil,dependência de droga já é definida por médicos e políticos como grave problema de saúde pública ; apesar de epidemia, a rede pública de hospitais ainda ignora a doença, sendo raríssimas as vagas para internar usuários de drogas, para desintoxicação;
- na primeira vez, quem oferece droga é colega ou parente, relatam em Jovem Pan Pela Vida, Contra as Drogas, dependentes químicos em recuperação;
- na maioria das histórias, a primeira droga foi bebida alcoólica na infância ou na adolescência; depois, veio a maconha;
- maconha é causa de internação em São Paulo ,ao desencadear surtos psicóticos ou esquizofrenia, alertam clínicas que participam de Jovem Pan Pela Vida, Contra as Drogas (Greenwood, Reviva, Conviver,Intervir , Caminho de Luz e o Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas);
- além da dependência, maconha pode causar câncer de cabeça, pescoço e pulmão, além de uma série de outras complicações, define o presidente da Abead-Associação Brasileira de Álcool e Outras Drogas, psiquiatra Carlos Salgado.”Maconha não é droga benigna.Não está isenta de riscos”,afirma o especialista;
- mesclado é cigarro de maconha misturado com crack, droga que vem sendo utilizada por adolescentes em São Paulo , Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Também chamada pitico, a maconha com crack é montada pelos próprios usuários, tem constatado a polícia . A mistura provoca alucinações, perda de percepção, podendo levar a quadros depressivos , neurológicos, respiratórios e cardíacos;
- para tratar, afirmam especialistas, é preciso desintoxicar, ou seja tirar toda a droga do corpo; depois, é preciso tempo e dedicação para ensinar ao usuário viver sem drogas;
- mas no Brasil, nem acorrentando os próprios filhos, mães conseguem sensibilizar políticos e autoridades de saúde pública para o sofrimento que marca suas famílias;
- prevenção continua sendo, portanto, a vacina mais eficaz contra as drogas , sendo famílias e escolas fundamentais nessa luta pela vida.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Consultório sobre rodas vai combater o crack em Porto Alegre!



Van percorrerá a cidade para ajudar crianças e adolescentes

A guerra contra o crack está prestes a ganhar mais um batalhão de combatentes em Porto Alegre. A partir desta semana, funcionários do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) darão vida ao Consultório de Rua, que circulará em uma Van pela zona norte da Capital, ajudando crianças e adolescentes em situação de risco a superarem a dependência química.Encomendada pelo Ministério da Saúde, a proposta faz parte de um projeto mais amplo, que inclui a criação de um Centro de Atenção ao Álcool e Outras Drogas. Além do consultório móvel, a estrutura terá com centros de atendimento, núcleo de ensino e pesquisa e novos leitos de internação.Para dar vida ao Consultório de Rua, iniciativa inspirada em uma ação posta em prática em Salvador (BA) desde os anos 90, o GHC encaminhou a compra de uma Van.Enquanto o veículo não estiver disponível, a equipe pretende começar a circular por vias de bairros como Rubem Berta e Sarandi em um carro alugado. A ideia, segundo a psicóloga Adriana Canto Loguercio, é ir até os lugares onde vivem os usuários e, em um primeiro momento, ganhar a confiança de meninos e meninas. Um mapeamento está sendo feito para definir que pontos serão priorizados.Equipe terá integrantes das comunidades beneficiadas Além da psicóloga e de um motorista, participarão da iniciativa a assistente social Ana Lucia Poletto e o educador físico Luiz Fernando Bilibio. Também estão escalados um terapeuta ocupacional, dois técnicos em enfermagem, uma enfermeira e três redutores de danos. Esse trio, que ainda será escolhido, deverá ser formado por moradores das comunidades.– Eles nos ajudarão na hora de abordar as crianças que vivem nas ruas. Teremos de cativá-las para, aos poucos, conseguir promover mudanças – explica Adriana. Ao longo do processo, o grupo pretende visitar várias vezes um mesmo local. A Van será estacionada em uma praça, por exemplo, e os profissionais conversarão com os usuários de drogas, organizarão jogos, brincadeiras. Até um karaokê será usado. Com o passar do tempo, os envolvidos pretendem se tornar amigos capazes de ajudar os dependentes a tomarem decisões simples, mas fundamentais, como procurar a família e voltar à escola. A decisão de deixar as drogas será uma consequência.– Hoje, o Estado não chega a essa população marginalizada. Vamos aprender na prática o caminho certo para chegar até eles e fazer a diferença. O crack é uma droga destrutiva e precisa ser combatido – afirma o diretor-superintendente do GHC, Neio Lúcio Fraga Pereira.Se o projeto-piloto der certo, Pereira não descarta a hipótese de, no futuro, com apoio do Ministério da Saúde, ampliar o número de veículos e de participantes.

O projeto

FARÃO PARTE DO CAAD:

Prevê a criação do Centro de Atenção de Álcool e Outras Drogas (Caad)
- O Consultório de Rua, que será o primeiro a entrar em prática
- O Consultório de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (Caps) com funcionamento 24 horas e o Caps da Infância e Adolescência, previstos para vigorar em setembro
- O Núcleo de Ensino e Pesquisa em Álcool e outras Drogas, previsto para este mês
- Leitos de internação, ainda em negociação